A polémica sobre a licenciatura de José Sócrates é a mais inconveniente de todas, porque é demasiado rídiculo que a posição do Primeiro-ministro esteja a ser fragilizada por causa de uma situação que pouco concorre para avaliação das suas actuais funções. Principalmente, frustra todos aqueles que estão satisfeitos com o desempenho do Governo e não querem acreditar que tal questão do passado de Sócrates sirva para o abalar. Mas o assunto é importante porque invoca fundamentalmente questões éticas que poderão ser graves caso tenham existido de facto atalhos ilegítimos para a conclusão da licenciatura daquele que é agora o Primeiro-ministro do Governo de Portugal.
Esta questão é um sério teste ao prolongado estado de graça do Governo que parece ainda não ter terminado. Parecem existir muitas dúvidas em relação a este processo que acima de tudo surge muito pouco claro na opinião pública e todos compreendem que um diploma de licenciatura deveria ser algo muito simples, como acontece com milhares de estudantes todos os anos. Mas neste caso não é. ´
Não deixa de ser curioso que a mesma opinião pública que sustenta este estado de graça é a mesma que tem procurado minimizar a questão ou mesmo tentando fazê-la esquecer porque percebe que caso se provasse a ilegitimidade da obtenção da licenciatura de Sócrates a consequência seria muito provavelmente a sua demissão.
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